quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Espaço público

O Largo do Pará está ganhando um muro. A faxineira da academia limpa os vidros e as senhorinhas que faziam sua ginástica diária na praça estão agora confinadas em algum aquário desse tipo. Com ou sem vista. A cobrar.
Algumas quadras antes, um protesto silencioso de outra praça. Em uma faixa amarrada no prédio encurralado logo atrás, lê-se algo do tipo: "Sem iluminação desde 2005". A oficina mecânica encrustrada no fim da rua sem saída apóia. Outra entidade também.
Na boca da entrada da rua, que separa a praça do prédio e da oficina, encara a casa que abrigava a brigada de campanha do PSOL (vazia). Alguns passos à direita e ali está outra casa (também vazia) que abriga de dois em dois anos outra brigada, também vermelha, também dissidente da estrela.
Mas estou no aguardo de outra (e próxima) campanha: a da praça da frente.
Vai ver que o jornalzinho do bairro ainda não notou, mas ali, antes do túnel que segue a linha do trem, é residência permanente de refugiados do capital.
Fosse eu moradora do prédio escondido pela praça que se interpõe à outra praça que segue a linha do trem (ufa!) reivindicava logo os muros do Largo do Pará. "Que se faça o apagão!".
Sentiu a ironia?

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