domingo, 18 de novembro de 2007

2+2=5


Sempre me incomodou muito o passe-livre que os policiais têm com as empresas de transporte rodoviário. "Quem eles pensam que são?". Essa coisa de hierarquia e autoridade me engasgam. Quando vem com duas armas no coldre, então, sobe um frio na espinha.
Dessa vez não foi diferente. Foi o PM entrar para eu sentir de novo toda a minha revolta com a privatização da função pública e com o abuso de autoridade. Privilégios encastelam. E essa lição não aprendemos hoje.
Pois bem, ele sentou lá no fundo, arma em coldre, colete à prova de balas. E eu não dormi. Ele finge que é natural andar assim. Eu não entendo. E tenho surtos: "ele vai cochilar e, sonhando com sua rotina, vai descarregar essa merda em algum inimigo imaginário". A tensão só passa quando ele desce. Aí, volto a respirar.
Dessa vez, quando ele ia saindo, se deparou com um obstáculo. Um moleque de uns 14 anos dormia espichado, espaçoso, ocupando as duas poltronas e mais o corredor com suas pernas. No escuro, dava pra quebrar o quadril de qualquer velhinha.
O homem fardado parou, lançou sua mala para o banco da frente com uma delicadeza da qual eu não seria capaz, e passou, cuidadosamente, uma perna por cima da outra. Quando havia terminado de ultrapassar a barreira humana, olhou para trás e sorriu sozinho quando viu que o menino continuava dormindo.
Em tempos de Bopemania, quase corri atrás daquela farda abominável para agradecê-la por ter me contrariado. E me lembrado de que as pessoas não são necessariamente o uniforme que elas vestem, a instituição que elas servem, ou a empresa na qual elas trabalham...

Um comentário:

Carol Bazzo disse...

não sei... isto não funciona pra quem praticamente morou com um bope dentro de casa...