terça-feira, 13 de novembro de 2007

Um relatório para a Academia

Pegue aí esse conceito e me explique com ele por que eu gosto tanto de teatro de protesto. E da tropicália. E por que me arrepio ouvindo Chico cantando "Cálice". E por que me arrepio ouvindo Gal cantando "Baby". Por que me permito Caetanos. Por que ando de ônibus, mas dirijo um carro e continuo sonhando com um mundo melhor com trilha sonora de Shakira. Pegue aí esse conceito e me esfregue na cara, quebre as minhas pernas, me torture, me faça caber dentro dele, naquele espaço reduzido pior que o meu futuro quarto-e-sala de 32m² decorado com fotos das viagens pela europa que um dia vou fazer. Com ou sem mochila. Num albergue ou num hotel 5 estrelas. Me atire um livro na cabeça e me convença de que as apropriações daquela teoria do século XIX não são anacronismos. Façam o que quiserem. Meu desafio é resistir aos rituais de tortura e continuar abraçada ao livro que me atiraram na cabeça dizendo que aquilo ali é puro método. Se ninguém ouvir, eu grito e rasgo por pura crueldade todos os rótulos. Quem sabe assim, eles não vão ver que dá pra colar essa mistura toda de determinações e que mesmo assim a coisa toda vai continuar fazendo muito sentido...

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