
A imagem é do cartunista da Economist, Kevin Kallaugher.
Na versão impressa desta semana e no site, a torcida da revista é pela eleição de Morgan Tsvangirai, um ex-sindicalista que faz oposição ao atual presidente e candidato à reeleição Robert Mugabe.
O interessante é ler os comentários dos leitores no artigo on-line. Lá, as intervenções dos nicknames que se dizem do Zimbábue (quem nasce no Zimbábue é o que?) apresentamoutras versões para a história do país e de seu ditador.
Em uma delas, o extermínio de cerca de 20 mil ndebles -etnia que era maioria no partido de oposição-, por Mugabe teria tido o apoio da coroa inglesa, de quem o país era colônia até 1980.
Na época, nenhuma crítica partiu dos governos inglês. O motivo? No processo de luta pela independência, Mugabe teria assegurado os direitos dos colonizadores sobre as suas propriedades no Zimbábue. Mas, após se estabilizar no poder, ele redistribuiu as terras dos brancos para a população local, chacinando-os. A reforma agrária deu a Mugabe um alto índice de popularidade, índice que ainda hoje prospera nas zonas rurais -este último fato, confirmado pelo correspondente da Economist.
A revista conta que, no processo de independência, as terras foram distribuídas à elite local. História bem parecida com a nossa. E com quase cem anos de diferença.
Traduzindo a história: a descolonização do Zimbábue pode ter levado a Inglaterra a apoiar um nome que fosse mais conciliador para dar continuidade aos seus negócios no país, pois o processo era inevitável após a independência moçambicana pautada em ideais socialistas. Mugabe pode ter ignorado um pré-acordo e, mais tarde, realizado reformas que condiziam com a plataforma socialista da época da luta pela independência -por idealismo cego ou estratégia de perpetuação do poder.
Só sei que teve chacina em Moçambique e no Zimbábue, que muita gente de esquerda ainda defende o ditador-assassino, e que a Inglaterra impôs embargos comerciais ao Zimbábue como represália à violação dos direitos humanos para os quais a ilha fechou os olhos durante a guerra civil do país africano, gerando o caos econômico em que o país se encontra. A violação aos direitos humanos continua. O caos econômico também. E ninguém quer nem saber de tomar a responsabilidade pelos desdobramentos dessa história. Nessa horas, vale tudo pelo direito de autodeterminação dos povos. Até ignorar massacre em massa.

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